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Nota de Denúncia e Repúdio da Rede Ambiental do Piauí - REAPI

A Rede Ambiental do Piauí vem a público denunciar e repudiar a visível
manobra articulada a portas fechadas pelo governador do Piauí,
Wellington Dias e pelo Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc (ambos
do PT), no sentido de tentar proteger a empresa JB Carbon, que grilou
114 mil hectares de terras públicas na última floresta do semi-árido
do Nordeste, localizada na Serra Vermelha, no Sul do Piauí, e que
vinha desmatando a mata nativa da Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica
da região, para produzir carvão.

A manobra mascarada de “proteção aos ecossistemas” da região, consiste
em não criar o Parque Nacional da Serra Vermelha, mas ampliar o Parque
Nacional da Serra das Confusões, deixando de fora exatamente a área da
JB Carbon, uma vez que a proposta do Grupo de Trabalho Técnico,
instalado pelo próprio Ministro do Meio Ambiente, propôs um polígono
com área de 436.995 hectares para esta ampliação e o que está sendo
veiculado na imprensa, tanto nos sites oficiais do MMA e do governo do
Piauí, quanto em outros sites, é que a ampliação do Parque Nacional da
Serra das Confusões será de apenas 270.000 hectares. Fica clara dessa
forma a existência de uma manobra para deixar de fora da ampliação
proposta a parte mais importante da Serra Vermelha.

Não questionamos a necessidade de se ampliar o Parque Nacional da
Serra das Confusões, que já é a maior unidade de conservação na
Caatinga e que mesmo assim precisa mesmo ser ampliada para proteger a
rica biodiversidade ameaçada da região. Entretanto, deixar de fora a
área mais nobre da Serra Vermelha é um absurdo e mostra existirem
interesses e dívidas eleitoreiras entre o governador do Piauí e a
empresa JB Carbon, uma das prováveis financiadoras da sua candidatura
à reeleição para governador. Vale lembrar que quem comanda a JB Carbon
é o empresário carioca João Batista Fernandes, conhecido do Ministro
do Meio Ambiente, que também será candidato nas próximas eleições.

É realmente muito estranho que o Ministro tenha formado um Grupo de
Trabalho Técnico (anunciado publicamente pelo próprio Ministro durante
a Semana da Mata Atlântica, realizada no Rio de Janeiro, em 2008 e
depois oficializado através de portaria), com os mais capacitados
técnicos do MMA, do ICMBio, do governo do PI e da Rede de ONGs da Mata
Atlântica, para aprofundar os estudos na região sobre a importância
biológica e propor o desenho do futuro Parque Nacional da Serra
Vermelha e agora desconsidere todo o trabalho técnico realizado
durante meses, que consumiram significativos recursos públicos, em
troca de uma proposta sem fundamentação técnica e claramente
eleitoreira.

Levando em conta os discursos do Ministro Carlos Minc sobre
“desmatamento zero e o jogo duro com os empresários devastadores”,
chega-se a conclusão de que essas medidas não serão aplicadas no
Piauí.

A sociedade piauiense e brasileira espera outro tipo de atitude por
parte dos governantes. Que se crie o Parque Nacional da Serra Vermelha
ou que se amplie o Parque Nacional da Serra das Confusões, mas com o
polígono sugerido pelo Grupo de Trabalho Técnico, sem deixar nenhuma
área de fora e muito menos por conta de negociatas de interesses
escusos.

Teresina (PI), 23 de fevereiro de 2010.

Rede Ambiental do Piauí - REAPI

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