InGá Estudos Ambientais

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Conservação em Foco debateu o tema da crise climática

No dia 31 de agosto, o Conservação em Foco trouxe a questão climática para o debate. Para explanar o assunto, estiveram presentes o agrônomo e vice-presidente da AGAPAN, Celso Waldemar, e o biólogo e vice-coordenador do InGá, Paulo Brack. Com o tema “Podemos vencer a crise do clima e evitar a catástrofe socioambiental”, os palestrantes mostraram dados sobre a atual situação das mudanças climáticas no mundo ou, como é mais apropriado chamar atualmente, a crise climática.

Celso Waldemar mostrou um histórico das mudanças climáticas ao longo dos anos e Paulo Brack falou sobre a maneira como essas mudanças afetam a biodiversidade. Ambos também troxeram alterativas para superar a crise. Ao final, os demais participantes fizeram questionamentos e foram esclarecidas as dúvidas que surgiram sobre este tema ainda tão importante nos dias de hoje. O Conservação em Foco é promovido pelo InGá todas as últimas terças-feiras do mês, a partir das 19h. A entrada é gratuita.

Carta dos 4 Rios

Participante do  I Encontro dos Povos e Comunidades Atingidas e Ameaçadas por Grandes Projetos de Infra-Estrutura, nas bacias dos rios da Amazônia: Madeira, Tapajós, Teles Pires e Xingu, em Itaituba, oeste do Pará, entre os dias 25 e 27 de agosto de 2010 lançam carta em defesa da vida.

Carta dos 4 Rios
Nós, povos indígenas, negros e quilombolas, mulheres, homens, jovens de comunidades rurais e urbanas da Amazônia brasileira, participantes do I Encontro dos Povos e Comunidades Atingidas e Ameaçadas por Grandes Projetos de Infra-Estrutura, nas bacias dos rios da Amazônia: Madeira, Tapajós, Teles Pires e Xingu, em Itaituba, oeste do Pará, entre os dias 25 e 27 de agosto de 2010, vimos através desta carta denunciar a todas as pessoas que defendem a Vida que:
Historicamente no Brasil todos os grandes projetos de infra-estrutura sempre trouxeram destruição e morte aos modos de vida dos seus povos originários e populações tradicionais em benefício de grandes grupos econômicos. A construção de hidrelétricas como a de Tucuruí, no Pará, Samuel em Rondônia, Estreito no Tocantins e Balbina no Amazonas são exemplos claros dos males que esse modelo de desenvolvimento produz.
As ameaças que vem sofrendo as populações dos rios Madeira, Tapajós, Teles Pires e Xingu também são motivos de nossas preocupações, ocasionadas pelos falsos discursos de progresso, desenvolvimento, geração de emprego e melhoria da qualidade de vida, vendidos pelos governos e consórcios das empresas em uma clara demonstração do uso da demagogia em detrimento da informação verdadeira, negada em todo o processo de licenciamento e implantação dos empreendimentos, a exemplo do que vem ocorrendo no rio Madeira, onde a construção dos complexos hidrelétricos de Santo Antonio e Jirau já expulsou mais de três mil famílias ribeirinhas de suas terras, expondo-as a marginalidade, prostituição infanto-juvenil, tráfico e consumo de drogas, altos índices de doenças sexualmente transmissíveis e assassinatos de lideranças que denunciam a grilagem de terra por grandes latifundiários, estes os “grandes frutos” desse modelo de desenvolvimento.
Condenamos o autoritarismo que seguidos governos militares e civis utilizaram e ainda utilizam contra as populações vulneráveis como o uso da força, expulsão da terra, da criminalização dos movimentos sociais, da ameaça física, da cooptação de lideranças e a completa exclusão das suas opiniões dos chamados processos de licenciamentos.
Condenamos a privatização de nossos recursos naturais, que provocam insegurança e degradação de povos, culturas e sabedorias milenares, das nossas florestas, dos nossos rios  e da nossa sociobiodiversidade.
Condenamos também os grandes empreendimentos por significarem acúmulo de capital, concentração de terras e de poder político sobre nossas vidas.
Defendemos:
Que aliança dos Povos e Comunidades da Pacha Mama, da Pan-Amazônia se fortaleça a cada passo dado rumo à construção de um novo mundo possível.
O “bem viver” como princípio de vida em contra-ponto à lógica da acumulação, da competição, do individualismo, da superexploração dos trabalhadores e trabalhadoras e dos nossos recursos naturais;
Um projeto de integração de nossos povos, com respeito à sociobiodiversidade e aos nossos modos tradicionais de produção que geram qualidade de vida e segurança alimentar;
Queremos nossos Rios Vivos e Livres, por isso exigimos:
A suspensão total e imediata da construção de barragens em nossos rios;
Que sejam acatados os estudos de diversos especialistas que propõem a repotenciação das UHEs mais antigas;
Investimentos imediatos na melhoria da qualidade das linhas de transmissão de energia;
Que o Plano Decenal de Expansão Energética aumente a percentagem de investimentos em pesquisas e implementação de fontes de energias verdadeiramente limpas e renováveis.
VIVA A ALIANÇA DOS POVOS DOS RIOS E DAS FLORESTAS!
Itaituba, PA, Pan Amazônia, 27 de agosto de 2010.
Assinam esta Carta:
Aliança Tapajós Vivo; Movimento Xingu Vivo para Sempre; Movimento Rio Madeira Vivo; Movimento Teles Pires Vivo; Movimento dos Atingidos por Barragens; Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira; Fórum da Amazônia Oriental; Fórum da Amazônia Ocidental; Fórum Social Pan-Amazônico; Frente de Defesa da Amazônia; Comitê Metropolitano do Movimento Xingu Vivo para Sempre; Prelazia do Xingu; Instituto Universidade Popular; FASE-Amazônia; International Rivers; Associação Etno-Ambiental Kanindé; Instituto Madeira Vivo; Coordenação da União das Nações e Povos Indígenas de Rondônia, noroeste do Mato Grosso e sul do Amazonas; Rede Brasileira de Justiça Ambiental; União dos Estudantes de Ensino Superior de Santarém; Movimento em Defesa da Vida e Cultura do Rio Arapiuns; Terra de Direitos; Fundo Mundial para a Natureza; Fundo DEMA; Instituto Amazônia Solidária e Sustentável; Centro de Apoio Sócio Ambiental; Comitê Dorothy; Comissão Pastoral da Terra; Conselho Indigenista Missionário; Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns; Grupo de Defesa da Amazônia; Federação das Associações dos Moradores e organizações Comunitários de Santarém, Federação das Organizações Quilombolas de Santarém;União de Entidades Comunitárias de Santarém; Sociedade Paraense de Direitos Humanos; Vivalt Internacional Brasil; Comissão Verbita Jupic – Justiça, Paz e Integridade da Criação; MMCC – Pará – Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade do Pará; Fórum dos Movimentos Sociais da BR 163; MMTACC – Movimento de Mulheres de Altamira Campos e Cidade; Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade Regional BR- 163 – Pará; Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade – Regional Transamazônica Xingu; SOCALIFRA; Nova Cartografia Social da Amazônia; Grupo de Trabalho Amazônico Regional Transamazônico Xingu;Associação do Povo Indígena Juruna do Xingu – Km 17; Associação de Resistência Indígena Arara do Maia; Coordenação das Associações de Remanescentes de Quilombos do estado do Pará – MALUNGU; Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém; Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns; Movimento Juruti em Ação; Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense; Grupo de Mulheres Brasileiras; Articulação de Mulheres Brasileiras; Comissão em Defesa do Xingú; Associação dos Produtores Rurais da Volta Grande do Xingu; Aliança Francisclareana; Associação indígena Kerepo; Fórum dos Movimentos Sociais; Associação Indígena Pusurú; Conselho indígena Minduruku do Alto Tapajós; Associação Suíço-Brasileira Batista de Apoio na Amazônia (Missão Batista); Associação Indígena Pahyhy’p;  .
Marquinho Mota
Assessoria de Comunicação - Rede FAOR

(91) 32614334 - FAOR
(91) 8268 4457 - Belém
(93) 9142 4472 - Santarém

Pai da Iamã, da Anuã e do Iroy

Assessoria à Rádios Comunitárias
Viva o Rio Xingu, Viva o Rio Tapajós,Vivos Para Sempre!!!

Revista IHU ON-LINE - Hidrelétricas no RS: Impactos sociais e ambientaisHidreletricas no Rio Grande do Sul: Impactos sociais e ambientais

Hidreletricas no Rio Grande do Sul. Impactos sociais e ambientais

Hidrelétricas no Rio Grande do Sul. Impactos sociais e ambientais é o tema de capa da IHU On-Line número 341, de 30-08-2010. Contribuem na discussão Paulo Brack, Alexandre Krob, Eduardo Ruppenthal, Leandro Scalabrin, Lisiane Hahn, Márcio Repenning e Silvia Pagel.

A matriz energética brasileira está em discussão. Qual seria a matriz mais sustentável, renovável, limpa e com menos consequências sociais e ambientais para o país? Este debate urge a necessidade de repensar o modelo das usinas hidrelétricas, com suas megaobras e grandes barragens. No momento em que o país debate com a situação do Rio Xingu sob o impacto da construção da hidrelétrica de Belo Monte, do Rio Tapajós com as usinas projetadas para serem construídas e os impactos no Rio Madeira com as usinas de Jirau e Santo Antônio, a IHU On-Line desta semana debate a construção de uma série de hidrelétricas no estado do Rio Grande do Sul.

Fechamento das comportas de Foz do Chapecó seca parte do Rio Uruguai

Os atingidos pela Usina Hidrelétrica Foz do Chapecó, construída na divisa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, denunciam que o fechamento das comportas para formação do lago, ocorrido no último dia 25, está causando um grande desastre ambiental com o secamento de parte do rio e morte de muitos animais. “Um trecho de 6 quilômetros do rio está praticamente sem água e cerca de 17 quilômetros tem a vazão reduzida em até 80%”, firmam os atingidos.

Já a montante da barragem, a água está subindo e inundando milhares de hectares de terra, encobrindo propriedades, matas e animais. Quando completo, o lago irá inundar uma extensa área de mata nativa, caracterizada como os últimos remanescentes da floresta do Rio Uruguai. Ao todo, o lago terá a extensão de 150 quilômetros, ou seja, são 150 quilômetros do rio Uruguai que irão desaparecer com a construção da barragem Foz do Chapecó.

A barragem está localizada entre os municípios de Águas de Chapecó (SC) e Alpestre (RS) e o consórcio é encabeçado pela empresa privada CPFL, que sistematicamente, tem negado o direito de muitas famílias atingidas pela obra. Há mais de 10 anos, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) vem denunciando o descaso social e ambiental nos municípios da região e afirmando que as empresas do consórcio não estão preocupadas com o desenvolvimento local e sim com o lucro dessa construção.

“Além do desastre que está acontecendo com o rio Uruguai, com essa barragem perderemos a qualidade do ar, a neblina aumentará muito e também perderemos nossos patrimônios históricos e culturais. Sem falar na perda da qualidade da água, pois com a inundação do lago, a grande quantidade de matéria orgânica apodrecerá e emitirá CO2 para a atmosfera”, afirmou uma das lideranças do MAB na região.

PLEBISCITO POPULAR

Começa hoje o Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra.
O Brasil é o segundo país no mundo que mais concentra terras, perde apenas para o Paraguai.As pequenas propriedades de Terra representam menos de 3% da área ocupada pelos estabelecimentos rurais, enquanto as grandes propriedades concentram mais de 43% da área.
Ao mesmo tempo as pequenas propriedades são responsáveis por mais de 70% da produção de alimentos no país.

O país também aparece no cenário Latino Americano com o terceiro pior índice de Igualdade social em toda a região, de acordo com os dados divulgados, em julho deste ano, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

URNAS E ABAIXO-ASSINADO EM PORTO ALEGRE - Em Porto Alegre, haverá urnas em três campi da UFRGS: Campus do Vale, Centro e Saúde. No Centro, a urna ficará na FACED (Faculdade de Educação) e no Campus do Vale ficará em frente ao Instituto de Letras (em ambos os casos migrando para o Restaurante Universitário nos horários de almoço e janta). No Campus da Saúde haverá urna somente no RU, nos horários de almoço e janta.

Endereços dos locais de votação:
Faculdade de Educação

Avenida Paulo Gama, 110
Prédio 12201
Farroupilha, Porto Alegre

Instituto de Letras da UFRGS
Campus do Vale
Av.Bento Gonçalves, 9500
Bairro Agronomia, Porto Alegre

Restaurante Universitário 2 (RU2) - Campus Saúde
Rua Ramiro Barcelos, 2600
Bairro Santana, Porto Alegre

Se você souber de mais algum lugar de votação, por favor, nos repasse!

Mal aconselhados

Felipe Amaral*

(6′31” / 1.5 Mb) - Os conselhos, como Conselho de Meio Ambiente, são órgãos de caráter deliberativo e normativo, responsáveis pela aprovação e acompanhamento da implementação da Política do Meio Ambiente, nos estados, municípios, na União (CONAMA, CTNBio). Seus membros são representantes da sociedade civil, governo, organizações não-governamentais, federações ligadas a indústria, comércio e produção, representantes do setor produtivo, universidades, e associações de interesse comum.

No Rio Grande do Sul o poder executivo tem treze assentos do total de vinte e nove cadeiras. Somando-se as vagas do setor produtivo, com representação da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (FARSUL), Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura (FETAG), que embora ser dos trabalhadores na agricultura, defende interesses do setor agroindustrial, além da Sociedade de Engenharia, totalizam 17 votos, que dependendo da matéria de interesse, como por exemplo o Zoneamento da Silvicultura, todos garantem presença e votam em bloco. Mas caso alguém do time, da equipe, não puder comparecer, ainda existem duas anomalias que podem garantir os votos.

Uma delas é uma organização que foi criada pela AGEFLOR, com congrega empresas do setor celulose, imposta no CONSEMA, por um canetaço do governador em exercício Antonio Hohlfeldt, vice de Rigotto (PMDB). A ong/empresa Amigo da Floresta ocupa uma das vagas da sociedade civil, que tem apenas quatro entidades ambientalistas. Os interesses, posicionamentos, proposições e votos da Amigos da Floresta, são descaradamente favoráveis ao setor industrial produtivo, chegando ao absurdo de propor alterações legais que comprometem a estabilidade ecossistêmica, fragilizam a legislação ambiental, desestruturam os instrumentos de controle Estatal e social sobre o meio ambiente. Ainda no caso do Conselho gaúcho, a outra anomalia, é a presença do Instituto de Biotecnologia do Estado, que na realidade entrou para dar suporte na aprovação e liberação dos transgênicos. Temos também a FAMURS, que congrega os municípios, que não obstante tem posicionamentos ligados ao setor produtivo industrial, que podem trazer prejuízos ao meio ambiente, por colocar os interesses regionais, municipais, do desenvolvimento a qualquer custo, acima da preservação e estabilidade socioambiental.

Hoje tramita um processo de reformulação do regimento interno das Câmaras Técnicas do CONSEMA, que são instancias consultivas, que emitem parecer sobre determinada matéria, para depois encaminhar um relatório ao plenário, onde será votada. Uma proposta apresentada pela FIERGS e Executivo gaúcho tem pontos importantes que agilizam os trabalhos nas Câmaras Técnicas e criam ritos e processos que devem ser seguidos. Porém em meio a uma série de procedimentos está a limitação dos pedidos de vista aos processos, desta forma limitando o acesso ao conteúdo das matérias, restringindo o debate e amordaçando as discussões. O que mais preocupa é que a estratégia de esconder documentos, limitar informações, distribuir matérias importantes no dia anterior à plenária, obstruir acesso a conteúdos, é uma prática recorrente dentro do CONSEMA.

Aqui no Rio Grande do Sul, governos e aliados jogam com seus interesses, sem reconhecer que já existem critérios e um regimento. Reformular regimento, sem aplicar o existente, tem como objetivo, oficializar os processos obscuros, que tiram a transparência, limitam as discussões e atropelam a cidadania participativa, um dos fundamentos de conselhos consultivos da sociedade civil.

Mas a supremacia governista e produtivista não é exclusividade dos gaúchos, em São Paulo, por exemplo, o Conselho (CONSEMA/SP) é composto por 36 entidades, sendo 17 órgãos e entidades governamentais, 18 não governamentais, dentre elas sindicatos, associações de classe ligadas ao setor produtivo e industrial, divididos entre patronais e trabalhadores, além de seis entidades ambientalistas eleitas entre elas.

No Paraná o Conselho Estadual do Meio Ambiente (CEMA), tem um total de 22 vagas, sendo doze vagas ocupadas pelo governo, quatro entidades ambientalistas, o restante se dividindo entre universidades, representantes das secretárias municipais de meio ambiente, instituições de classe, sindicatos ou federações patronais e dos trabalhadores.

Em Minas Gerais o Conselho Estadual de Política Ambiental (COPAM) é composto por 23 entidades e órgãos, o sitio oficial do colegiado está fora do ar, suspenso pelo TRE devido a veiculação de propaganda governamental, da atual gestão. Aqui no Rio Grande do Sul, depois que o secretário do meio ambiente deixou a pasta, para ser vice na chapa da atual governadora, seguiam ano site oficial da SEMA/RS notícias sobre eventos e ações que o ex-secretário fazia, fora do governo.

De uma forma geral pode-se ver uma supremacia numérica do Executivo nos conselhos de meio ambiente, em pelo menos todos os casos apresentados. Isto, na maioria das vezes garante interesses de grupos políticos que se revezam no poder. Caracterizando, corroborando e implementando políticas de governo, e não políticas públicas ambientais de Estado. Estamos à mercê da vontade política e interesses pontuais de governos e aliados.

Enquanto os colegiados consultivos e deliberativos, principalmente os ambientais, não tiverem a representatividade de setores mais conservacionistas e preocupados com a sustentabilidade socioambiental, a supremacia econômica deve reger a política ambiental. Estamos todos, mal aconselhados.

*Ecólogo e coordenador do Instituto Biofilia.

fonte: http://www.radioagencianp.com.br/node/9049

MANIFESTO DO 28º ENCONTRO ESTADUAL DE ENTIDADES ECOLÓGICAS

MANIFESTO DO 28º ENCONTRO ESTADUAL DE ENTIDADES ECOLÓGICAS

26 a 28 de agosto de 2010 – Viamão, RS

Entre os dias 26 e 28 de agosto realizou-se o 28º Encontro Estadual de Entidades Ecológicas (EEEE), promovido pela Assembleia Permanente de Entidades de Defesa do Meio Ambiente (APEDeMA-RS). O local escolhido, para tal, foi o assentamento Filhos de Sepé, na zona rural de Viamão-RS, inserido na Área de Proteção Ambiental (APA) do Banhado Grande e que faz divisas com o Refúgio de Vida Sivestre Banhado dos Pacheco. Este espaço foi estrategicamente escolhido pela referência nas práticas de agroecologia, permacultura. Neste local há 10 anos são realizadas pesquisas em saneamento com tecnologias sociais, hoje já espalhadas nos assentamentos urbanos e rurais do Rio Grande do Sul e Brasil, assim como a bioconstrução, a produção de arroz ecológico e o viver em comunidade junto à natureza. Outro fator que levou à escolha desse local é a discussão sobre os projetos de mineração de carvão, que colocam em risco a biodiversidade, as práticas produtivas e a sustentabilidade ambiental da região.

O Movimento Ecológico Gaúcho tem vivido momentos importantes e de transformações que nos exigem organização e reflexão.  Para tanto o EEEE teve como objetivos, além de formação e troca de experiências entre as entidades ecológicas, a construção de linhas políticas conjuntas para as lutas socioambientais, fortalecendo e ampliando a aliança com outros movimentos sociais.
Sendo assim, as entidades ecológicas reunidas repudiam o processo de fragilização dos conselhos e colegiados de políticas públicas ambientais. A falta de paridade, transparência nos processos e supremacia de interesses que não levam em conta a sustentabilidade ambiental e conservação da biodiversidade.

Diante disto salientamos que é de responsabilidade dos conselheiros e de suas respectivas instituições as conseqüências das decisões tomadas.

É urgente um debate democrático sobre a composição e estrutura participativa do Conselho Estadual de Meio Ambiente (CONSEMA), órgão máximo da política pública ambiental no Rio Grande do Sul. Reafirmamos a necessidade da retomada do custeio para participação das entidades ambientalistas do interior do estado, garantindo a representatividade regional.  Exigimos o cumprimento da Resolução Consema 107/05 que normatiza a indicação, por parte da Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente (APEDeMA-RS), para compor às vagas da sociedade civil no CONSEMA.
Denunciamos a apropriação e centralidade na gestão dos recursos públicos do Fundo Estadual de Meio Ambiente (FEMA). Nos últimos anos os recursos do FEMA foram único e exclusivamente utilizados para custeio de máquina administrativa da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA) sem debate na Câmara Técnica do Fundo. Para tanto, exigimos que os recursos do FEMA sejam disponibilizados através de editais públicos destinados ao apoio de projetos ambientais da sociedade civil organizada.

Alertamos a comunidade gaúcha sobre uma série de iniciativas do executivo e legislativo, estimulados por interesses de setores do empresariado irresponsável e inconsequente, e que tem como objetivo a flexibilização e fragilização da legislação ambiental, assédio moral aos funcionários, bem como a precarização dos órgãos de controle e gestão ambiental estatal.

Rejeitamos a estratégia midiática acerca da alteração do Código Florestal Brasileiro que promove a falsa ideia de fato consumado. Reiteramos a não alteração do atual código, permitindo assim, a proteção do meio ambiente, aliando a produção de alimentos saudáveis com a conservação e gestão racional dos bens naturais.

Repudiamos iniciativas da bancada ruralista, como o Projeto de Lei 154/09, de autoria do Deputado Estadual Edson Brum, que propõe alterações, que levam à descaracterização do Código Estadual do Meio Ambiente, causando a diminuição e, até, total supressão da tutela legal do Estado sobre o ambiente, gerando perdas irreversíveis da biodiversidade e danos a toda sociedade.

A manutenção da política de atração de investimentos, sustentada por generosos benefícios fiscais, concedidos a empresas, subsidiando obras de grande impacto como barragens de irrigação, hidrelétricas, ampliação de portos e rodovias, projetos de mineração, empreendimentos imobiliários e projetos de monocultura, como plantios de árvores exóticas e cana-de-açúcar, está colocando em risco a estabilidade dos ecossistemas e agravando a crise social.

Cobramos posicionamento rígido e ações efetivas do Poder Judiciário na medida em que é recorrente o descumprimento de preceitos legais e processos de licenciamento ambiental.
Ressaltamos a necessidade de implementação efetiva das Unidades de Conservação ambiental, bem como, a perpetuação de seus decretos de criação, impedindo o risco de revogação em virtude de mudanças na administração pública ou de interesses econômicos.

Apontamos a necessidade de amplo debate acerca do financiamento privado de campanha, pois temos presenciado a alteração da legislação, em todas as esferas do Estado, atendendo o interesse privado em detrimento do interesse público.

Denunciamos a ocorrência de um “ambientali$mo de merkado”, fruto do capitalismo verde, que vê a crise ambiental como uma oportunidade. Os conceitos “Mecanismos de Desenvolvimento Limpo” e mercado de carbono, dentre outros, vem sendo apresentados como alternativas às mudanças climáticas, quando na verdade são falsas soluções. Nessa perspectiva, mudanças estruturais são necessárias, nas esferas políticas, econômicas e sociais.

Finalizamos o 28º Encontro Estadual de Entidades Ecológicas (EEEE), reafirmando o compromisso de politizar a ecologia e ecologizar a política.

Viamão, 28 de agosto de 2010

Assinam esse Manifesto
Assembleia Permanente de Entidades de Defesa do Meio Ambiente (APEDeMA-RS)
Ação Nascente Maquiné (ANAMA) - Maquiné
Amigos da Paisagem Preservada de Quintão (APAIPQ) – Palmares do Sul
Associação São Borjense de de Proteção do Ambiente Natural (ASPAN) – São Borja
Associação Ambientalista Biguá (Biguá) - Arambaré
A.A.C.D - Camaquã;
Abrace o Guaíba - POA;
Casa Tierra – Porto Alegre
Centro de Estudos Ambientais (CEA) - Rio Grande/ Pelotas
Econsciência – Porto Alegre
Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (GESP) – Passo Fundo
Grupo Ecológico Guardiões da Vida (GEGV) - Passo Fundo
Grupo Transdisciplinar de Estudos Ambientais Maricá (MARICÁ) - Viamão
Instituto Ballaena Australis - Santa Vitória do Palmar
Igré Associação Socioambientalista (IGRÉ) – Porto Alegre
Instituto Biofilia – Porto Alegre
Incandescente – Bagé/ Porto Alegre
Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (Ingá) – Porto Alegre
Movimento Os Verdes de Tapes - Tapes
Núcleo Amigos da Terra Brasil (NAT) – Porto Alegre
Ong Solidariedade – Porto Alegre
União Protetora do Ambiente Natural (UPAN) – São Leopoldo
União Pedritense de Proteção ao Ambiente Natural (UPPAN) – Dom Pedrito

Rede Coep Promove Fórum sobre Modelo de Desenvolvimento Rural

Que tipo de modelo de desenvolvimento rural queremos para o Brasil? Baseado nesta questão, a Rede Mobilizadores COEP promove de 30 de agosto a 3 de setembro o fórum on-line Modelo de desenvolvimento X Uso de agrotóxicos, com cinco convidados: Cláudia Schmidt, Denis Monteiro, Flávia Londres, Flaviane de Carvalho Canavesi e Gabriel Fernandes, especialistas na área de desenvolvimento e agricultura, transgênicos
e agrotóxicos.

A ideia é debater os diferentes modelos de desenvolvimento rural e o impacto de cada um deles na sociedade: grandes extensões de terra x pequenas propriedades; transgênicos x sementes nativas; mecanização x mão de obra no campo; agrotóxicos x defensivos naturais; monocultura x poliprodução; agronegócio x agricultura familiar
. Quais as características de cada modelo? Qual deles deveria ser priorizado pelas políticas públicas brasileiras? É possível produzir em grande escala utilizando o modelo agroecológico, que não faz uso de defensivos químicos? Como fazer a transição do agronegócio para a produção familiar agroecológica?.

A engenheira agrônoma e consultora da Assessoria de Serviços e Projetos em Agricultura
Alternativa (AS-PTA), Flávia Londres, lembra que a sociedade brasileira precisa decidir se é preferível um modelo de desenvolvimento rural baseado em muita terra para poucos, manejadas com pouca mão de obra e altíssimo uso de máquinas e produtos químicos- e consequentemente alta degradação ambiental -, ou um modelo de menos terra para muitos, em que sistemas intensivos possam empregar muita mão-de-obra, dinamizar economias e abastecer mercados locais com alimentos saudáveis.

A agropecuária brasileira, baseada no modelo do grande agronegócio, responde por 23,7% do PIB nacional; movimenta 38,5% da exportações e emprega cerca de 40 milhões de pessoas. Considerada o motor da economia nacional, lidera o ranking da produção mundial de 10 tipos de alimentos e está entre os maiores produtores em cerca de trinta produtos. No entanto, o modelo adotado pelo grande agronegócio é o de vastas extensões de monoculturas, com grande emprego de mecanização, eliminando elementos da paisagem natural, com redução da biodiversidade
e exaustão do solo, além de ampla utilização de agrotóxicos.

De acordo com Jean Marc Von der Weid, doutor em Economia Agrícola, fundador da AS-PTA, e um dos maiores especialistas do assunto no país, a idéia de um sistema agrícola baseado em propriedades familiares é uma possível solução para resolver o problema da marginalização da população. A agroecologia não provoca danos ambientais nem destrói recursos naturais, além disso, vem mostrando capacidade de produzir com rendimentos por hectare iguais ou superiores aos sistemas convencionais, possuindo custos de produção mais baixos. O fórum será realizado no Grupo Meio Ambiente
, Mudanças Climáticas e Pobreza. Para participar, é preciso estar cadastrado no Mobilizadores COEP.

O cadastro é simples e rápido. Basta acessar o site e clicar em Inscreva-se.

Sobre os convidados: Claudia Job Schmitt Professora Adjunta do Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Denis Monteiro É engenheiro agrônomo, agroecólogo e secretário-executivo da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).

Flávia Londres Engenheira agrônoma e consultora da Assessoria de Serviços e Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA). Flaviane de Carvalho Canavesi Doutoranda em Planejamento Urbano e Regional pelo Instituto de Planejamento Urbano e Regional (IPPUR), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Gabriel Fernandes Engenheiro agrônomo e assessor técnico da AS-PTA, coordenador da Campanha por um Brasil Livre de Transgênicos.

Mais informações sobre o Fórum ou sobre o Mobilizadores COEP podem ser obtidas pelo telefone (21) 2528-3352.

Entidades defendem faixa de 60 metros na orla do Guaíba

Lideranças comunitárias apresentaram posição sobre vetos ao projeto

Fernanda Bastos

ANDRÉ NETTO/JC

Grupo expôs avaliação ao presidente da Câmara de Porto Alegre

Grupo expôs avaliação ao presidente da Câmara de Porto Alegre

O Fórum de Entidades se reuniu na tarde desta quinta-feira com o presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre, Nelcir Tessaro (PTB), para defender a rejeição de 23 dos 39 vetos do prefeito José Fortunati (PDT) ao projeto de lei de revisão do Plano Diretor.

O encontro faz parte da mobilização do grupo, formado por associações de moradores, organizações não governamentais, entidades de classe e ativistas ambientais que participaram do processo de revisão do Plano Diretor, que pretende acompanhar a votação dos destaques no Legislativo na próxima quarta-feira.

O coordenador do Fórum, Nestor Nadruz, aproveitou a reunião para ler manifesto com os principais itens que os líderes comunitários querem ver no Plano revisado. Eles defendem a emenda de autoria do vereador Airto Ferronato (PSB), que estabelece uma faixa de preservação de 60 metros na orla do Guaíba.

Também alertam para a importância dos artigos que tratam da destinação dos recursos oriundos da venda de Solo Criado (eles querem que continuem sendo destinados prioritariamente para habitação popular), a manutenção dos artigos que tratam de zonas especiais, a proibição de instalação de postos em áreas de grande circulação e a defesa de que “é encargo do empreendedor privado a entrega de equipamentos nos parcelamentos de solo”. “Esses são os tópicos que temos o mais forte interesse que sejam mantidos”, avaliou Naduz.

Entre as reivindicações do Fórum, gera polêmica na Câmara a proibição à instalação de postos de combustíveis em locais de grande circulação. “Temos preocupação com a questão da contaminação do solo, além de outros riscos às pessoas”, apontou o líder da região Partenon e Lomba do Pinheiro, Eduíno de Mattos, que é também conselheiro da área no Conselho do Plano Diretor.

Tessaro e o vereador Toni Proença (PPS), que coordenou os trabalhos do Fórum, ficaram responsáveis por repassar o relatório aos demais parlamentares. O presidente do Legislativo comentou que, nos últimos dias, os vereadores receberam mensagens da população com opiniões sobre os artigos vetados. “Recebemos muitos e-mails com a sociedade se manifestando. S.omaremos isso ao posicionamento do Fórum, que irá balizar a discussão no plenário”, observou Tessaro.

Toni relatou no encontro a intenção do secretário do Planejamento Municipal, Márcio Bins Ely, de negociar com o Fórum de Entidades a manutenção e a rejeição dos 39 destaques feitos pelo prefeito ao projeto sancionado em 22 de julho.

O vereador do PPS sugeriu que Tessaro faça uma reunião conjunta entre Bins Ely e os líderes comunitários para mediar o acordo. A negociação pode levar o Legislativo a votar a maioria dos itens em bloco - e não em destaque, como é previsto - o que pode fazer a Câmara ganhar tempo, já que a matéria tranca a pauta do Legislativo a partir de quarta-feira, o que significa que nenhum outro tema poderá ser apreciado. “Faremos toda a votação na quarta”, projeta Tessaro.

Notícia da edição impressa do JC de 27/08/2010

Professor Carrasco é agredido na Argentina

Professor Carrasco é agredido na Argentina

Cientista da Universidade de Buenos Aires tem divulgado pesquisas denunciando os perigos do glifosato, princípio ativo do herbicida Roundup, da Monsanto, largamente usado nas lavouras transgênicas.

Divulgação
Pesquisador estava em La Leonesa, na província do Chaco, onde faria palestra


O professor e pesquisador argentino Andrés Carrasco, da Universidade de Buenos Aires, ganhou notoriedade internacional quando, em abril de 2009, divulgou resultados de suas pesquisas indicando que o glifosato, princípio ativo do herbicida (mata-mato) Roundup, da Monsanto, está associado a malformações de embriões de anfíbios.

Na tarde de 07 de agosto, último sábado, Carrasco começava uma palestra em La Leonesa, na província do Chaco, quando um grupo de funcionários municipais e arrozeiros que defendem os agrotóxicos, liderados pelo chefe da administração local José Carbajal e pela deputada Elda Insaurralde, insultaram, ameaçaram e agrediram parte da comitiva que acompanhava o pesquisador. A palestra foi interrompida e houve necessidade da intervenção da polícia.

A comitiva era formada pelo ex-subsecretário de Direitos Humanos do estado Marcelo Salgado e pelos deputados Carlos Martínez e Fabricio Bolatti, entre outros. Salgado foi brutalmente agredido no rosto, chegou a ficar inconsciente e teve o joelho quebrado. Martínez e Bolatti também foram espancados.

Carrasco se refugiou em um carro, onde ficou preso por quase duas horas sob ameaças de linchamento.

A imprensa local observou que o dono das fazendas arrozeiras do Departamento Bermejo, Eduardo Meichtry, de longe incitava os funcionários da administração local e os trabalhadores de seus estabelecimentos a impedir a saída do carro onde estava o pesquisador.

Antes deste triste episódio, Carrasco havia realizado excelentes exposições na Assembléia Legislativa do Chaco e na Faculdade de Humanidades da UNNE (Universidad Nacional del Nordeste), e encerraria sua estadia na província com uma conversa com os moradores de La Leonesa e de Las Palmas.

O Roundup é largamente usado em todo o mundo e sua utilização foi fortemente expandida com a difusão das lavouras transgênicas RR (Roundup Ready), que foram desenvolvidas para tolerar aplicações do produto (esse é o caso de toda a soja transgênica plantada).

Os testes em anfíbios realizados por Carrasco foram baseados em modelo tradicional de estudo para avaliação de efeitos fisiológicos em vertebrados, cujos resultados podem ser comparáveis ao que aconteceria com embriões humanos. Os resultados da pesquisa mostram que doses mínimas de glifosato causaram defeitos no cérebro, intestino e coração de fetos de várias espécies de anfíbios.

Carrasco começou a enfrentar várias formas de perseguição pouco após a divulgação de suas pesquisas. Sofreu os mais variados tipos de ataques que visavam desqualificar sua pesquisa e a ele próprio enquanto pesquisador.

O mais notório foi o veto à sua palestra prevista para a Feira do Livro 2010, na Argentina, organizada pelo Conicet (Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Tecnológicas), do qual Carrasco é membro. A censura chegou inclusive a ser questionada por parlamentares argentinos, que sugeriram a existência de ligações entre o Conicet e a Monsanto.

Proibição em Santa Fé

Mas avanços importantes sobre o tema também se passaram na Argentina depois da divulgação dos estudos de Carrasco. Em março deste ano justiça de Santa Fé proibiu a utilização do glifosato nas proximidades de zonas urbanas. Os juízes também marcaram jurisprudência ao invocar o Princípio da Precaução e foram inovadores ao valorizar os testemunhos dos afetados pelas intoxicações e contaminações. A sentença ordenou ainda que o governo estadual realizasse estudos junto à Universidade Nacional do Litoral (UNL) para avaliar os danos dos agrotóxicos à saúde e ao meio ambiente.

Outro passo importante foi a publicação, em julho último, de um informe oficial do governo estadual do Chaco (estado vizinho a Santa Fé, no norte do país) confirmando a relação entre agrotóxicos e aumento de doenças na região: em uma década, triplicaram os casos de câncer em crianças e quadruplicaram os nascimentos de bebês com malformações.

Grande parte dos dados deste estudo está focada na localidade La Leonesa, epicentro das denúncias por abuso na aplicação de herbicidas e inseticidas na produção de arroz. O informe oficial solicita que sejam tomadas “medidas preventivas” em La Lenoesa até que se realize um estudo de impacto ambiental e pede que se ampliem as análises para as outras seis localidades que estariam sujeitas às mesmas condições. La Leonesa é justamente a localidade onde a comitiva do professor agora foi agredida.

De fato este movimento de reação contra os abusos do agronegócio na aplicação de agrotóxicos não está agradando a todos. E os incomodados começaram a apelar para os piores métodos de confronto.

Como bem sintetizou a ONG argentina Renace, “pode-se ver como a intolerância e a defesa do indefensável acham na violência sua maneira de expressão”. Lamentável.

Publicado no Boletim da AS-PTA Agricultura Familiar e Ecologia. Com informações de:

RENACE - Red Nacional de Acción Ecologista - Argentina

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